Especial SaúdeCorredor Jairo Ortega e os primeiros sintomas da Síndrome de Guillain-Barré

Redação AssisCity4 de dezembro de 2018

O atleta assisense Jairo Ortega é um campeão dentro e fora das provas pedestres. Há 36 anos ele encara os desafios dos percursos das corridas, conquistando muitos troféus e medalhas.

Recentemente, Jairo enfrentou o maior desafio da sua vida, após ser diagnosticado com a Síndrome de Guillain-Barré. Trata-se de uma doença rara, que afeta os nervos do corpo e causa paralisia de membros e órgãos.

Troféu conquistado por Jairo Ortega em sua última corrida antes dos sintomas

A luta do atleta começou no dia 30 de julho de 2018, quando Jairo sentiu os primeiros sintomas após participar de uma corrida em Rosana, na divisa entre os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul.

“No dia 29 de julho, eu participei de uma corrida em Rosana e corri super bem. Consegui o 2º lugar na classificação geral, de uma prova que teve mais de 400 competidores inscritos. Na volta, paramos para abastecer o carro e fui tomar água. Senti um desconforto e uma sensação de cansaço

quando desci, mas achei que fosse normal porque tinha feito um esforço recente. Cheguei em casa, tomei banho, jantei e fui descansar”, conta.

Na segunda-feira após a corrida, Jairo amanheceu sentindo formigamento nas pontas dos dedos das mãos e também dos pés. Ele comentou com os amigos do trabalho, com a família, e estava crente de que tais sintomas estranhos iriam passar.

Síndrome de Guillain-Barré: como identificar os primeiros sintomas?

A Neurologia avançou muito nos últimos séculos e segue caminhando a passos largos para oferecer cada vez mais bem estar aos pacientes. Apesar disso, muitas perguntas continuam sem respostas, especialmente aquelas que envolvem doenças consideradas raras.

Este é o caso da Síndrome de Guillain-Barré, que apesar de ter baixa incidência em números, costuma ser devastadora e preocupante para os pacientes que a desenvolve.

O médico neurologista Pedro Medalha Neto, de Assis, explica como as pessoas podem identificar os primeiros sintomas.

Atleta Jairo Ortega

“A Síndrome de Guillain-Barré é uma doença rara, mas nem por isso ela deve ter menos atenção de todos nós. Em uma cidade de 100 mil habitantes, a média de casos é de 1 a 3 por ano. A Síndrome ocorre na maioria das vezes por uma infecção, que pode ser viral ou bacteriana. Essa infecção pode ser das mais comuns que conhecemos, como uma gripe, um resfriado, além de diarreia, gastrites leves e temporárias, náusea e vômito. O problema é que, enquanto o nosso sistema imunológico ataca essa doença simples, as proteínas que ele produz são parecidas com a bainha de mielina, ou seja, aquela espécie de capa que reveste os nossos nervos. Nesse movimento, o nosso corpo cria anticorpos para atacar os parasitas e atacam o nosso próprio corpo, caracterizando a Síndrome como uma doença autoimune”, afirma.

Por se tratar de uma doença aguda, o médico ressalta que os sintomas começam a aparecer entre uma e três semanas, quando o quadro é mais grave.

“O período em que os sintomas da Síndrome aparecem de maneira mais grave é da primeira até a terceira semana. Há casos em que a doença segue se desenvolvendo por até seis meses ou um ano, mas esse não é o período agudo. Os sintomas começam geralmente pelos membros inferiores, já que o nervo sai da coluna lombar e vai até o pé, sendo o mais comprido. O paciente costuma apresentar primeiro a perda da sensibilidade, acompanhada de formigamento, e que segue também pela perda motora”, salienta.

Neurologista Pedro Medalha Neto

Doutor Pedro afirma que os membros superiores também são acometidos, mas a doença pode afetar até os pulmões e o coração.

“Quando a perda motora chega no joelho, é comum que a doença também acometa a ponta dos dedos e as mãos. Isso porque é uma Síndrome ascendente, ou seja, ela vai subindo. Imagine um homem de pé, com as palmas das mãos abertas e viradas para a frente. A altura do joelho é mais ou menos a altura da ponta dos dedos, e a partir disso os braços também começam a ser afetados. Essa é a forma mais clássica, mas há variações. Como o sistema nervoso compreende o corpo todo, a doença também pode chegar até o pulmão, o coração e outros órgãos internos”, explica.

Mas quem pode desenvolver a Síndrome de Guillain-Barré? Essa é uma pergunta que intriga todos os neurologistas, já que ainda não há resposta.

“Infelizmente a Medicina e a Neurologia ainda não chegaram a essa resposta. Não sabemos quem são os pacientes que terão ou não a Síndrome. Sabemos que alguns deles têm suscetibilidade imunológica, mas essa pesquisa ainda é muito específica e está bem no início. Com certeza a Neurologia ainda tem muita coisa a explicar, pois não sabemos prever e não há exames que identifiquem previamente. O que se sabe até o momento é que a doença pode aparecer em qualquer idade, mas a faixa etária mais comum é de pacientes entre 20 a 40 anos. As chances em crianças são menores, já que elas ainda não têm um sistema imunológico com força para atacar o próprio corpo, mas a partir das 15 anos a incidência já aumenta. O mais comum é que a Síndrome apareça no jovem e no adulto ativo, e por isso ela assusta tanto. São pacientes que trabalham, cuidam dos filhos, têm uma rotina ativa e de repente podem ficar debilitados”, conclui.

 

 

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