Especial SaúdeJairo Ortega e os desafios no diagnóstico da Síndrome de Guillain-Barré

Redação AssisCity10 de dezembro de 2018

Após sentir os primeiros sintomas, o atleta assisense Jairo Ortega não fazia ideia de que o formigamento sentido nas pontas dos dedos das mãos e dos pés poderia indicar algo mais grave do que apenas cansaço físico.

Ao invés de sumir, a sensação de formigamento foi aumentando e se espalhando para outras regiões do corpo.

“Na terça-feira, o formigamento subiu para o punho da mão e o calcanhar. Fiquei mais preocupado ainda e pensando o que poderia ser. Cheguei até a ir treinar de leve, porque eu teria uma prova no domingo seguinte e então fui dar uma corridinha, mas ainda com a sensação incomodando. Na quarta-feira piorou de novo e o formigamento subiu para o braço e para o joelho”, diz.

Jairo Ortega

Jairo trabalhava em uma gráfica em Palmital e chegou a procurar um amigo farmacêutico para relatar o que estava sentindo. Sem desconfiar do que poderia ser, ele tomou um relaxante muscular na esperança de que melhorasse, mas os sintomas continuaram a piorar. Na quinta-feira, o formigamento já estava no ombro e na coxa, logo se espalhando também para a região do quadril.

O atleta também começou a sentir fraqueza nos braços e nas pernas, e quando percebeu que algo sério poderia estar acontecendo, buscou um médico.

“Na sexta-feira, eu e minha esposa fomos na consulta. A médica pediu uma tomografia, porque eu já estava andando meio descoordenado e parecia até um AVC, então ela achou melhor investigar. Também fiz um hemograma e não indicou nada, nenhum dos dois exames. Ela disse que estava tudo ok, mas não estava, e por isso me indicou para um neurologista. No sábado mesmo fomos na consulta e já fiquei internado para que os médicos pudessem investigar o que estava acontecendo”.

Jairo recebeu visita de muitos amigos durante sua internação

Jairo passou por uma ressonância magnética, que também não apontou nada que pudesse indicar a doença. Desconfiado, o médico pediu um exame no qual o líquido da espinha cervical é retirado e o resultado fechou o diagnóstico completo: era Síndrome de Guillain-Barré.

“O médico começou a explicar e foi um susto, na verdade, um baque. Fiquei 11 dias internado e já tomando as medicações, o que foi muito importante para poder estabilizar a doença antes que ela afetasse também a parte respiratória. Felizmente não precisei ser entubado e nem fiquei na UTI, mas tem casos que isso ocorre e são ainda mais graves”, explica.

Síndrome de Guillain-Barré: quais exames ajudam no diagnóstico da doença?

O diagnóstico da Síndrome de Guillain-Barré nem sempre é fácil de ser obtido. Isso porque os sintomas podem ser confundidos com outras doenças no início, enquanto a sua evolução é muito rápida.

Por isso, cada dia é importante para evitar maiores danos aos nervos de todo o corpo, especialmente dos membros e órgãos.

O neurologista Pedro Medalha Neto explica quais são os exames que auxiliam os médicos a identificarem a Síndrome.

“Na fase aguda da doença, um dos primeiros exames que realizamos é colher o líquido cefalorraquidiano, que também chamamos de líquor. Esse é o líquido que corre em todo o nosso sistema nervoso central. O cérebro fica em uma caixa constituída de ossos e o líquor é o que protege esse importante órgão. O líquor também está presente por toda a coluna cervical e também lombar, que é onde nós o coletamos. A partir disso, é realizada a análise de suas características e algumas delas mudam quando o paciente apresenta a Síndrome de Guillain-Barré. Uma delas é a proteína aumentada, assim como a celularidade, que também fica com índices elevados”, explica.

Neurologista Pedro Medalha Neto

Segundo o doutor Pedro, este exame pode ser feito por qualquer médico clínico habilitado.

“Os pacientes podem fazer o exame do líquor em qualquer pronto atendimento, desde que haja um médico clínico habilitado para realizar o procedimento. Neurologistas e algumas outras especialidades estão mais acostumados a fazer a coleta, mas o médico que atende nas unidades de urgência e emergência também podem fazer o exame. A suspeita com o líquor é suficiente para iniciar o tratamento, mas nós sempre indicamos que uma tomografia seja feita antes deste exame. A tomografia vai indicar se o paciente não tem hipertensão intracraniana, para que algo não aconteça durante a retirada do líquor”, salienta.

No caso de um local onde não há disponibilidade de um exame de tomografia, o médico explica que há outra possibilidade.

“O médico também pode fazer um exame de visão do fundo do olho, já que através do nervo óptico e pela pupila é possível ver se há sinais de hipertensão. Nesse caso, a pupila fica embaçada caso haja o aumento da pressão”, reforça.

Exame de Eletroneuromiografia é, termo a termo, o estudo da parte elétrica dos nervos e músculo

Outro exame que indica a Síndrome de Guillain-Barré é o Eletroneuromiografia. No entanto, doutor Pedro ressalta que esta opção é mais dolorosa e não está disponível em todas as cidades.

“O Eletroneuromiografia é, termo a termo, o estudo da parte elétrica dos nervos e músculos. Nesse exame, o médico deve ter especialização em neurologia, além de um curso para estar habilitado. Ele mede, com agulhas e choques elétricos, como está a força do nervo e a sua resposta na condução elétrica. Como a Síndrome muda justamente essa característica, as alterações aparecem e também é possível diagnosticar. Em geral, nós fazemos nos quatro membros e em músculos específicos, seguindo o protocolo. É doloroso, porque fura a pele, dá choque, o músculo tem que ser contraído, mas é uma possibilidade que temos para diagnosticar também. Apesar de ser mais difícil de ser realizado, devido à sua especificidade, esse exame é disponibilizado pelo SUS, assim como o do líquor”, acrescenta.

Na próxima reportagem você vai acompanhar o retorno de Jairo para sua casa e como tem sido sua resposta ao tratamento. Não perca!

 

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