Especial SaúdeOncologista da Clínica Renascer esclarece algumas dúvidas sobre o câncer

Redação AssisCity18 de março de 2019

Após muitos anos sendo um mistério para a medicina, o câncer ainda é uma doença que assusta os pacientes e chama a atenção dos médicos em todos os cantos do mundo.

Os dados apontam que o número de casos tem aumentado cada vez mais e, segundo a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, um em cada cinco homens e uma em cada seis mulheres no mundo desenvolvem um tumor ao longo da vida.

Para esclarecer algumas dúvidas sobre o assunto, o médico oncologista Dr. Filipe Casão recebeu a nossa equipe na Clínica Renascer, em Assis. Formado pela UNICAMP, o médico esclarece que atualmente o câncer é a doença sob os holofotes da indústria farmacêutica.

Hormonioterapia é um dos tratamentos possíveis para pacientes com câncer

“O câncer era a doença menos compreendida pela medicina, mas especialmente nos últimos 50 anos ela tem sido o principal foco de investimentos da indústria farmacêutica, além de governos e instituições. Cada célula do nosso corpo tem um controle programado para crescer, se multiplicar e morrer. O câncer é, basicamente, uma doença que desencadeia mutações genéticas e faz com que as células do nosso corpo percam o controle de seu próprio crescimento. Dessa forma, elas crescem desenfreadamente, podendo inclusive invadir outros tecidos, consumir energia do corpo, causar efeitos locais e levar órgãos a pararem de funcionar, o que pode levar o paciente a óbito”, explica.

As diversas pesquisas têm surtido efeito na vida dos pacientes, já que trazem novidades para a medicina e aumentam as chances de cura.

“Os estudos sobre câncer surgem todos os dias e é até difícil para os médicos oncologistas acompanharem. Estamos ligados o tempo todo nas novidades e nos novos medicamentos, que podem ser diferenciais para a cura dos pacientes. Hoje não temos apenas a quimioterapia ou a radioterapia, por exemplo, mas tratamentos como hormonioterapia e imunoterapia estimulam o próprio corpo a combater o câncer e estão apresentando bons resultados em muitos casos. Também temos estudos voltados para o rastreamento e a prevenção, já que o câncer em fase inicial tem aumento das chances de cura. A medicina também tem trabalhado de madeira multimodal, com equipes formadas por médicos de diversas especialidades e que, unidos, podem proporcionar um melhor tratamento aos pacientes”, afirma.

Doutor Filipe Casão atende na Clínica Renascer, em Assis

Apesar das novidades diárias, o doutor Filipe explica que cada tratamento é individualizado e até tumores semelhantes possuem diferenças genéticas que irão definir qual é a melhor opção.

“Já é sabido que as nossas células acumulam mutações ao longo da vida e que podem ocasionar a perda do controle do ciclo celular. Em alguns casos, devemos levar em conta a hereditariedade e outros casos de tumores na família, mas síndromes genéticas que aumentam chances de ter câncer são casos mais raros. A maioria ainda são casos esporádicos, que estão relacionados com o modo de vida de cada paciente”, explica.

Alguns tipos de câncer também estão mais associados a determinadas faixas etárias e precisam de atenção. Em crianças, os tipos mais comuns são tumores que afetam o sistema nervoso central e também o sangue, como leucemias e linfomas. Em adolescentes e adultos jovens, os cânceres estão normalmente mais relacionados à hereditariedade. Já em pacientes mais velhos ou idosos, os mais comuns são câncer de mama, próstata, pulmão e pele.

“Quanto mais envelhecemos, maiores são as chances de desenvolvermos doenças relacionadas ao nosso estilo de vida. O cigarro, por exemplo, aumenta as chances de câncer no pulmão e na bexiga, assim como a radiação solar pode causar câncer de pele. A reposição hormonal após a menopausa também pode ser um fator de risco, assim como o uso de alguns anabolizantes pode causar tumores no testículo e no fígado. Quanto mais tentarmos evitar maus hábitos, menores as chances de desenvolver qualquer doença, mas infelizmente ninguém está livre”, salienta.

Os clínicos gerais, ginecologistas, pneumologistas e urologistas são médicos que estão na linha de frente da prevenção aos diversos tipos de câncer. Eles devem ser consultados com regularidade e podem solicitar exames de rastreamento, como mamografias, colonoscopias e outros.

“O oncologista é o médico que geralmente acompanha o paciente após o diagnóstico, mas é essencial que os pacientes façam os exames regularmente e possam descobrir um possível câncer desde o início. Cuidar da nossa imunidade também é importante, assim como do nosso lado emocional. Não há nenhum estudo que comprove que variações de sentimentos possam causar uma doença tão grave como o câncer, mas há hipóteses de que a somatização pode se refletir em alterações da imunidade e isso poderia favorecer o crescimento mais acelerado destas células cancerígenas. Não estamos imunes, mas cuidar da nossa saúde ao longo de toda a vida é essencial”, conclui.

 

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